O TRT2 condena o restaurante ao pagamento de um valor pelo uso da imagem de seu empregado por uma revista. Mas eu vejo a coisa por outro ângulo.
Primeiro ponto.
Considerando que não era uma propaganda paga, ou seja, a revista elabora o guia com liberdade e isenção, creio que quem utilizou da imagem do trabalhador e até da imagem do restaurante foi a revista que fez o guia. Afinal de contas ela ganha com a venda do guia.
O Restaurante também lucra com a publicidade, que como eu disse, vamos pressupor que seja gratuita pois imagina-se que seja um guia sério que avalia a qualidade do restaurante e não quem paga para sair como melhor e por isso mesmo o restaurante cede a sua imagem, tirar fotos do salão e tudo mais.
Concluindo, eu entendo que quem usou a imagem do trabalhador foi a REVISTA e não o empregador, logo ela deveria ter sido acionada na Justiça Comum e não na JT. Diferente seria se a imagem dele tivesse sido usado indevidamente em uma propaganda do restaurante.
Segundo ponto:
O cara faz pose com um espeto na mão, é difícil dizer isso sem ver a foto propriamente dita, mas é o que fala a notícia. É evidente que ele autorizou a utilização da imagem.
Pelo que o caso narra, não foi uma foto tirada do salão onde ele aparece com o espeto sem sequer saber que estava sendo fotografado.
O simples fato dele saber que está sendo fotografado já demonstra sua autorização para utilização da imagem, ou por acaso alguém se deixa fotografar para que a outra pessoa não utilize a foto??
Será que autorização tem que ser por escrito?
TRT3 - Garçon deve ser indenizado por uso não autorizado de sua imagem em foto publicada em revista
Um garçon que teve sua imagem divulgada em foto promocional da churrascaria onde trabalhava - foto essa publicada em guia gastronômico de uma revista de circulação nacional - obteve na Justiça do Trabalho de Minas o reconhecimento do seu direito a receber uma indenização por uso indevido da imagem.
A ré havia protestado contra a sentença, argumentando que os estabelecimentos não interferem na elaboração do roteiro de bares e restaurantes divulgado pela revista, de forma que não teve qualquer participação na confecção da fotografia publicada. Acrescenta que, no dia da reportagem, o próprio reclamante se ofereceu para ser fotografado mostrando um espeto de cordeiro e que, de todo modo, o acontecimento não teve o condão de causar qualquer dano à honra ou à imagem do autor.
Mas, ao apreciar o recurso, a 2ª Turma do TRT-MG manteve a indenização deferida pela sentença, com fundamento nos incisos V, X e XXVIII do artigo 5º da Constituição Federal, que asseguram a inviolabilidade do direito à imagem das pessoas, proibindo a sua reprodução sem autorização e garantindo o direito à indenização em caso de violação. A decisão se apóia ainda no artigo 20 do Código Civil, pelo qual, a publicação, exposição ou utilização da imagem de uma pessoa poderão ser proibidas, a seu requerimento, sem prejuízo da indenização que couber, quando se destinarem a fins comerciais.
Segundo esclarece o desembargador relator, Luiz Ronan Neves Koury, o TST e o STF têm entendido que a imagem é um bem extrapatrimonial e a sua utilização não autorizada configura violação a direito personalíssimo, pouco importando se houve ou não dano à reputação: “Tratando-se a imagem de direito personalíssimo, tutelado constitucionalmente no artigo 5°, X, apenas poderá ser divulgada mediante autorização. Os nossos tribunais têm entendido que há violação ao direito de imagem com o simples fato de um veículo de comunicação retratar uma pessoa em local público, em virtude, por exemplo, de um evento de interesse público ou cultural. Caso tenha por objetivo o lucro, ou seja, a divulgação para fins comerciais, envolvendo a participação do empregado, não se tratando do próprio direito à comunicação e exercício regular do direito de informar, com maior razão torna-se devida a indenização correspondente” – frisa.
Como a empresa não comprovou que houve permissão do empregado para a utilização da sua imagem e considerando que o restaurante obteve lucro com a divulgação dos seus serviços, a Turma manteve a indenização deferida pela sentença, apenas reduzindo o seu valor para R$5.000,00.


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